{Relato} Experiência Gastronômica em BH

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Comer em Minas Gerais soa como o paraíso na Terra, não é? É. Porém, confesso que na minha última visita por ali a experiência da comida caseira mineira, infelizmente, deixou muito a desejar.

Além do parque de Inhotim não oferecer estrutura de alimentação para todos os visitantes, as lanchonetes não oferecem bolinhos caseiros, pães de queijo e cafézinho passado na hora. Pelo contrário: o negócio ali é quibe congelado, chocolate industrializado e café de cápsula. Decepcionante?

Bom, se o parque se isenta da responsabilidade de promover a culinária local nas “lanchonetes”, não posso opinar em relação aos restaurantes internos, porque não tive a oportunidade de experimentá-los. Mas já ouvi falar que são muito bons. Ufa!

De qualquer maneira, também era de se esperar que nas pousadas houvesse um cuidado com essa questão. Café fresquinho, pães e queijos variados, etc. E, claro, nos restaurantes da cidade, seria oportuno um lugarzinho que aplacasse a nossa sede por comida caseira.

Nos quatro dias que ficamos por ali, não encontramos nenhuma dica de um restaurante local que fizesse comida local. Na pousada que ficamos, apesar de ser anexa à uma fazenda, o café da manhã era repleto de torradas Bauducco, pão de forma de supermercado e biscoito de polvilho industrializado. O pão de queijo era disputado a tapas, hahaha. Um salve-salve para a manteiga, com mais cara de caseira. No jantar, o ponto alto era a pizza. A pizza, pessoal. E, na mercearia da pousada, em que você espera encontrar doce de leite, goiabada e queijos, achei vários pacotinhos de salgadinhos diet, sem lactose, sem glúten, sem açúcar, sem graça, sem nada.

Bom. E aí?

E aí que não dá para ir às Minas e não comer uma comidinha justa. Chico e eu fomos então atrás de um restaurante em Belo Horizonte. Eu já tinha ouvido falar da Belo Comidaria, mas na internet a informação é de que o lugar fechou. Fuçando, encontramos o Trindade, em Lourdes.

O que falar do Trindade?

A nossa experiência foi boa e a comida estava sim, deliciosa. Entretanto, ao nosso lado, um casal já se irritava com a demora dos pratos. Restaurante pequeno, talvez novo, que se atrapalha um pouco com o movimento. Além disso, os preços são um pouco salgados sim.

Pedimos uma entrada que se revelou bem minimalista, servida em um granito retangular com alguns legumes em conserva (um de cada), um queijinho de cabra e um pãozinho quente, embrulhado em papel com barbante. Apresentação fofa, é verdade. Mas era tão pouquinho que quase não deu para aproveitar. Mais descrições sobre essa entrada/couvert aqui.

filearrozproibido

Os pratos principais, só sucesso! Eu me esbaldei em um filé servido com brotos de beterraba (gosto sutilíssimo) e um arroz proibido (que parece feijão preto na foto), infinitamente saboroso. Chico foi no picadinho, com farofa, banana e ovo frito. Verdade que o prato dele é muito mais da autêntica culinária brasileira e cumpriu seu papel: estava muito bom e ele comeu em garfadas lentas, adiando o término. Tudo isso regado por um choppinho bem tirado.

picadinho trindade

Para a sobremesa, um brûleé de doce de leite Viçosa, gostoso. No cardápio tem a opção de café coado individualmente na chemex com um grão bem bom – que não me lembro agora qual é… – e fiquei muito feliz. Mas, quando pedi, não tinha. Àquela hora, só o nespresso. =(

Comentários finais

2014-11-23 14.39.14

O restaurante aspira ser um lugar que respeita e enaltece a cultura local – tem até uma vendinha com artigos da tão querida Mercearia Paraopeba (Itabirito – MG). Acho apenas que: 1) exagera no preço e 2) afrescalha a apresentação. O típico ciclo vicioso de restaurantes de culinária contemporânea que buscam uma pegada brasilianista. Não basta ser gostosos e aconchegante. Para ser incluído nos roteiros gastronômicos precisam de invenções gourmets, precisam chamar todos os pratos pelo diminutivo – saladinha, porquinho, linguicinha, tulipinha… – e precisam cobrar caro.

De qualquer forma, valeu muito a visita. Quer colar lá e tirar as suas conclusões? Segue o endereço aí em baixo:

Trindade 

Endereço: Rua Alvarenga Peixoto, 388

Bairro: Lourdes

Telefone: (31) 2512-4479

Lugares: 80

Horário:18h/0h (sex. e sáb. 12h/1h; dom. só almoço 12h/17h; fecha seg.)

http://www.trindadebrasil.com.br/

Está na dúvida e quer ler outras opiniões sobre a experiência no Trindade?

Guia BH: Trindade Restaurante Bar Bistrô por Chata de Galocha

Imersão no novo cardápio do Restaurante Trindade em Notas de Sabor

Imagens: Arquivo pessoal (Francisco e Luiza), Notas de Sabor e Pinterest

 

 

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