{Cozinha} Cultura Indígena e Culinária Brasileira ou Pimentas Baniwa

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Foi feliz a minha surpresa ontem ao dar de cara com uma matéria no caderno COMIDA, da Folha de SP, sobre as pimentas dos índios Baniwá ou Baniua (pronuncia-se bã-ní-ua, com a sílaba forte no “ní”), cultivadas na Amazônia.

Os índios Baniwa e outras tribos como os Kaingang, Kashinawá, Pankararu, ganharam toda a minha simpatia quando, em abril de 2013, o Ponto Solidário e o Espaço Amarelo, com o apoio do Café da Casa, exibiram uma série de vídeos (Vídeo nas Aldeias) na hora do almoço sobre as diferentes etnias indígenas presentes no Brasil, quebrando uma série de preconceitos que nós temos sobre esses povos tão conscientes de sua condição atual.

Os Baniwa aparecem com mais ênfase nos episódios 7 e 8, que abordam as questões da demarcação de terras indígenas e a economia atual nas tribos, “em que muitos povos criam experiências de desenvolvimento sustentável com a exploração não predatória dos recursos da floresta, inspirada na filosofia dos seus antepassados”. (Índios no Brasil – episódio 7 e episódio 8).

 

 

 

 

 

Tudo isso para dizer que, felizmente, um chef como Alex Atala, tão renomado por explorar as particularidades da nossa culinária de origem, contribui e retribui com a valorização de temperos locais e a preservação dos nossos povos e da nossa cultura “de raiz”.

O Instituto ATÁ, criado pelo chef, “busca o fortalecimento da variedade de plantas cultivadas no Brasil e o fomento de ingredientes da culinária brasileira produzidos de forma tradicional” (em “Pimenta dos índios baniuas chega ao mercado com selo de origem” de Leão Serva)

Foi através do ATÀ que o chef pôde contribuir com o projeto do ISA (Instituto Socioambiental) para a comercialização da pimenta Jiquitaia – produto plantado, colhido e elaborado pelos índios Baniwa, em aldeias próximas ao rio Negro, no Amazonas.

Segundo a matéria da Folha de SP, foi o convite do ISA, em 2005, que deu a oportunidade a Alex Atala de se aproximar desse tempero indígena que, posteriormente, passou a compor pratos em suas duas casas em São Paulo, além de ser utilizado por tantos outros chefs.

O resultado da iniciativa do ISA apoiada pelo ATÁ não só oferece destaque a um produto brasileiro, como respeita seu processo artesanal de elaboração (vale a pena ler a matéria para entender essa complexidade) e cria meios para que os indígenas valorizem seus rituais sem ferir ou banalizar seus hábitos.

As “casas da pimenta”, fruto desse trabalho, é o começo da “construção de uma rede de unidades (…) em localidades estratégicas para reunir, embalar, controlar a qualidade e distribuir a pimenta de um grupo de comunidades”  (em “Pimenta dos índios baniuas chega ao mercado com selo de origem” de Leão Serva)

Em outra matéria, nesse mesmo COMIDA de hoje, a discussão vai para a “experiência antropológica” de experimentar um ingrediente preparado por uma cultura tão antiga e rica como os baniwa. A reportagem acrescenta que, ao longo desses dez anos de projeto do ISA-ATÁ, muito se trabalhou sobre a temática da pimenta Jiquitaia, trazendo à discussão os ritos, mitos e receitas tradicionais desses povos indígenas, de um lado e, de outro, a introdução do ingrediente na culinária dos grandes restaurantes e seu potencial exploratório.

Leia mais: 

Pimenta dos índios baniuas chega ao mercado com selo de origem por Leão Serva em 14/5/14

Para Atala, pimenta dos baniuas tem valor antropológico e gastronômico por Leão Serva em 14/5/14

Explore:

Vídeo nas Aldeias

Arte Baniwa

Instituto ATA

Instituto Socioambiental

 

 

 

 

 

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